IEC de Campo Redondo – 81 anos

A história de nossa Igreja confunde-se com a história da evangelização da Região dos Lagos. Tudo começou com uma viagem missionária, no dia 15 de fevereiro de 1896, quando o Rev Leônidas Filadelfo da Silva, aproveitando a estada do Sr. Fitzgerald Holms, residente em Pernambuco, realiza com ele uma grande excursão missionária pelas localidades de Maricá, Araruama, Cabo Frio, Barra de São João, além de outras. Os resultados foram maravilhosos.

No dia 17 de abril de 1909, o Rev Leônidas Filadelfo da Silva inicia o trabalho regular em Cabo Frio, no bairro da “Passagem” – hoje centro histórico da cidade. Foram cinco dias de pregações à noite, com bons auditórios.

A aceitação à mensagem do Senhor era excelente, e não demorou para que surgissem as perseguições e retaliações. O Rev. Ismael da Silva Júnior fez o seguinte registro:

“No dia 21 de maio de 1909 realizou-se um culto em Cabo Frio com a assistência de cerca de 150 pessoas. Ao terminar (…) fomos surpreendidos por um grupo considerável de moleques que desacataram-nos, alvejando-nos ovos, limões e pedras. O delegado de polícia e um soldado estavam presentes e nada fizeram no sentido de obstar esses desrespeitos a direitos garantidos pela Constituição do nosso país”.

Em janeiro de 1910, o jovem Francisco Antônio de Souza, que estava fazendo o último ano do curso de Bacharel em Teologia em Campinas – SP, “estagiou” em Cabo Frio. Eis o que ele disse em um relatório: “Tendo de fazer a viagem por terra para o Rio de Janeiro, tivemos a oportunidade de dirigir a Palavra de Deus a um bom número de pessoas no lugar denominado Campo Redondo, que fica entre Cabo Frio e São Pedro da Aldeia, em casa de alguns dos nossos parentes que ouviram e assistiram, pela primeira vez, a pregação do evangelho”.

Em janeiro de 1913, o irmão José Pereira Soares, membro da congregação de Cabo Frio, muda-se para Campo Redondo, e inicia em sua residência os trabalhos de evangelização.

“O ponto de pregação” é transformado em “congregação” no mês de março de 1918, e passa aos cuidados do Rev José Barbosa Ramalho. O irmão José Pereira Soares é designado evangelista pela Igreja-mãe, a Igreja Evangélica Fluminense.

Em setembro de 1928 é feita a compra do imóvel (casa e terreno), onde vinha funcionando o trabalho desde 1917. A casa de estuque foi transformada em templo.

A emancipação aconteceu no dia 20 de janeiro de 1935, em solenidade presidida pelo Rev João Corrêa d’Ávila, presidente da então “União das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Sul do Brasil”. A direção espiritual era a seguinte:

Pastor – Rev Josias Ávila

Presbítero – Sr. Fernando Francisco Rodrigues

Diáconos – Srs.: Oscar Pires, Joacino Soares Gomes, José Pereira Soares e Otávio Ferreira

Além desses, a Igreja contava com a valiosa cooperação do Presbítero João Brito Gomes, seu evangelista, por muitos anos, quando ainda era congregação. Como o Rev Josias não podia estar sempre em Campo Redondo, a Junta Regional deu-lhe um auxiliar – o então Evangelista Leônidas Júlio de Lemos.

O templo de estuque era muito pequeno, e logo surgiu a idéia de construir-se um novo, mais amplo. Esse templo foi edificado pelo Evangelista Leônidas Júlio de Lemos, e inaugurado no dia 23 de abril de 1939, com uma assistência calculada em 600 pessoas, sob a presidência do Rev José Barbosa Ramalho, então pastor da Igreja.

Vale ressaltar que até 1971 os pastores residiam no Rio de Janeiro, e não davam tempo integral. Alguns pastoreavam outras comunidades eclesiásticas. Durante esses anos, a IEC de Campo Redondo recebeu a auxílio de evangelistas, que muito contribuíram para o avanço da Causa. Foram eles: Francisco Gonçalves Nunes, Martinho Barreto, Godofredo Mangueira, João Brito Gomes, Leônidas Julio Lemos, João Sezures Junior e Benedito de Oliveira.

Hoje podemos olhar para trás, e agradecermos a Deus, pois, apesar das muitas lutas e dificuldades, a obra avançou.

Não nos esquecemos de que estamos fazendo história, e que um dia os livros de Deus serão abertos, e seremos “julgados segundo o bem ou mal que tivemos feito pelo Corpo”.