Há algum problema os evangélicos acompanharem seus filhos em uma festa junina realizada na escola, quando as crianças, vestidas a caráter (de caipira), dançam quadrilha e se fartam dos pratos oferecidos nessas ocasiões: cachorro-quente, pipoca, milho verde, etc.? É obvio que nenhum crente participaria dessas festas com o objetivo de praticar a idolatria, entretanto, desejo tecer as algumas considerações:

1ª.  A palavra folclore, muito citada por aqueles que querem dar ênfase ao caráter não-religioso das festas, é formada dos termos ingleses “folk” (gente) e “lore” (sabedoria popular ou tradição) e significa “o conjunto das tradições, conhecimentos ou crenças populares expressas em suas lendas, canções e costumes”.  A questão que se impõem é a seguinte: Você participaria de um evento folclórico cujas raízes estão ligadas ao paganismo, à idolatria, à mentira?  Lembre-se de que o povo de Israel abraçou os costumes das nações pagãs e foi criticado pelos profetas de Deus. Não podemos coxear entre dois pensamentos (1 Rs 18:21).

2ª. se o teor das festas escolares não é religioso, por que as escolas realizam as festividades nos dias consagrados aos santos, ou na mesma ocasião?

3ª.  A explicação católica para tais festividades é tirada da Bíblia com acréscimos mitológicos. Os católicos descrevem o seguinte: “Um dia Isabel foi à casa de Maria, mãe de Jesus, para contar uma novidade: estava esperando um bebê ao qual daria o nome de João (o Batista). Naquele tempo, sem muitas opções de comunicação, Maria queria saber de que forma seria informada sobre o nascimento do pequeno João. Assim, Isabel combinou que acenderia uma fogueira bem grande que pudesse ser vista à distância. Combinou que ergueria um mastro com uma boneca sobre ele.  O menino nasceu, e Maria avisada pela grande fumaça e fogueira, foi visitar Isabel e o pequeno João Batista. Era dia 24 de junho” ².  A Palavra nos adverte que não devemos fazer qualquer acréscimo à revelação bíblica (Ap 22:18,19).

4ª.  João Batista foi o precursor de Jesus e veio anunciar a chegada do Reino de Deus. Sua mensagem era severa, conforme registrada em Mateus 3:1-11. Quando lhe informaram que seus discípulos estavam seguindo a Jesus, disse: “Convém que ele cresça e que eu diminua” (Jo 3:30). Ele não se considerava digno de desatar as correias das sandálias de Jesus (Lc 3:16).  Se em vida João Batista recusou qualquer tipo de homenagem ou adoração, será que agora está aceitando essas festividades em seu nome? Certamente que não!

5ª.  É atribuída a Pedro a fundação da Igreja Católica, que o considera o “príncipe dos apóstolos” e o primeiro papa.  É cultuado no dia 29 de junho como patrono dos pescadores.  Os sentimentos do apóstolo Pedro eram extremamente diferentes do que se apregoa hoje. Quando, sob a autoridade do nome de Jesus, curou o coxo que jazia à porta formosa do templo de Jerusalém e teve a atenção do povo voltada para ele, como se por sua virtude pessoal tivesse realizado o milagre, não titubeou: “Por que olhais tanto para nós, como se por nossa própria virtude ou santidade fizéssemos andar este homem? … o Deus de nossos pais, glorificou a seu filho Jesus… pela fé no nome de Jesus, este homem a quem vedes e conheceis foi fortalecido (At 3:12-16).  O mesmo procedimento podemos verificar em Pedro na casa de Cornélio (At 10: 25-26). Estaria Pedro hoje aceitando essas festividades em seu nome?

6ª – Religiões de várias regiões do Brasil, principalmente, na Bahia, aproveitam-se desse período de festas juninas para manifestar sua fé junto com as comemorações católicas.  O candomblé é um exemplo. Para eles, “Santo Antônio” é identificado com Ogum, “santo guerreiro” da cultura afro-brasileira.

Como crentes, devemos adorar somente a Deus: “Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a Ele servirás” (Mt 4:10). A Bíblia afirma que estes chamados “santos” não estão ouvindo, de forma nenhuma, os pedidos das pessoas que os cultuam aqui na terra. (Salmo 115:4-8). O único intercessor eficaz junto a Deus é Jesus Cristo. “Há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem” (1 Timóteo 2:5).

Quanto ao teor religioso das festas juninas, podemos declarar as palavras de Deus ditas por meio do profeta: “Odeio, desprezo as vossas festas, e as vossas assembleias solenes não me exalarão bom cheiro” (Am 5:21).

Texto organizado pelo Pr. Álvaro Marinho Neto, a partir do artigo “Festas Juninas – folclore ou religião? ” da revista “Defesa da Fé” – edição de junho de 2002.